Hospital Oceânico de Niterói inaugura Centro de Reabilitação Pós-Covid

Inaugurado na manhã desta segunda-feira (23), novo centro vai atender pacientes com sequelas causadas pelo coronavírus

Entrada do Centro de Reabilitação Pós-Covid no Hospital Oceânico– Foto: Pedro Conforte

 

Fadiga, cansaço, dor crônica, fraqueza muscular, limitação respiratória, perda de olfato e paladar, são alguns sintomas que parte dos pacientes que superaram a Covid-19 enfrentam após a alta. Segundo Renato Tavares, responsável pela fisioterapia do Hospital Municipal Oceânico de Niterói, estudos recentes mostram que 63% dos pacientes que tiveram a doença na forma moderada a grave apresentaram ao menos uma sequela funcional. Por conta dessa necessidade crescente, o Oceânico, administrado pelo Viva Rio, abriu nesta segunda-feira (23) seu Centro de Reabilitação Pós-Covid.

“Por ser uma doença recente, inúmeros estudos ainda estão em desenvolvimento. Nós do Hospital Oceânico acompanhamos boa parte desses dados, que apontam a persistência das sequelas por até seis meses. Além disso, nesse período os pacientes pós-covid apresentam risco 59% maior de óbito, após a infecção (na forma moderada a grave da doença)”, conta Renato.

O Centro de Reabilitação Pós-Covid funciona no térreo do Hospital, que é referência no combate ao Coronavírus em Niterói. A capacidade será de 32 atendimentos individualizados por dia, realizados por profissionais da saúde de diversas áreas (fisioterapia, fonoaudiologia, médica, enfermagem, nutrição, psicologia) que se dividirão para atender à demanda de cada paciente.

Antes mesmo de abrir as portas do Centro, equipes da unidade já realizavam a busca por pacientes que tiveram alta nos últimos seis meses e executavam a triagem inicial, buscando determinar as necessidades de acompanhamento durante a reabilitação. Paralelo a isso, a Secretaria de Saúde de Niterói também realiza uma busca por pacientes que venceram o coronavírus oriundos de outras unidades de saúde.

De acordo com Gisela Motta, diretora geral da unidade, inúmeros pacientes já passavam por um processo inicial de reabilitação enquanto estavam internados. “A recuperação da Covid-19 vai, muitas vezes, além da alta hospitalar. Vários pacientes, principalmente os que tiveram complicações e permaneceram internados por longos períodos, voltam para casa com sequelas que impactam sua saúde. Nesse sentido, o Centro de Reabilitação Pós-Covid vem para atender essa demanda crescente”, esclareceu.

O coordenador da área de Saúde do Viva Rio, José Ricardo Pacheco, esteve na inauguração e lembrou das dificuldades enfrentadas no início da pandemia: “O Viva Rio participa desse projeto desde seu início, em 2020, com a montagem do hospital. Foi desafiador colocar em operação esta unidade no meio de uma pandemia, e agora ela se amplia para o pós-covid. Nós, do Viva Rio, temos muito orgulho desse projeto!”.

 

Como funcionará o Centro?

Após o levantamento e a triagem realizada pelas equipes de saúde, o paciente é encaminhado à primeira consulta no Hospital Municipal Oceânico de Niterói.

“Na reabilitação, o paciente será classificado em uma escala de 0 a 4, sendo que a prioridade é atender os casos mais graves (3 e 4) individualmente. Pacientes entre 1 e 2 serão atendidos coletivamente, em ações de grupo. Somando aos atendimentos individualizados (32 por dia) podemos atender mais de 70 pessoas por dia no Centro de Reabilitação”, esclareceu Renato Tavares, relembrando que após a inauguração do Centro, os pacientes já sairão do Hospital Oceânico encaminhados para a reabilitação, em caso de necessidade.

 

Lucilene da Cunha Matos é a primeira paciente a ser atendida no novo Centro de Reabilitação Pós-Covid –Pedro Conforte

 

Primeiro atendimento

Moradora do Largo da Batalha, Lucilene da Cunha Matos, de 41 anos foi a primeira paciente a ser atendida no novo Centro de Reabilitação Pós-Covid de Niterói. De acordo com a direção do Hospital Oceânico, ela apresentou um quadro grave de Covid-19, permanecendo internada na unidade por 33 dias.

“Se não fosse o carinho dos profissionais dessa unidade, não sei como iria conseguir. Foram muitos dias longe e este carinho que me confortou e me fez seguir em frente. Por conta dessa doença apresentei algumas sequelas e ser a primeira paciente a ser atendida no Centro de Reabilitação é um orgulho. Só tenho a agradecer”, contou Lucilene.

 

 

 

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