Após quase 100 dias internado, neuropata recebe alta do Hospital Oceânico

Diego de Camargo Labriola teve um quadro grave de Covid-19 e voltou para casa no último dia 30

Diego de Camargo Labriola recebendo alta do Hospital Oceânico no dia 30 de junho (foto Pedro Conforte)

 

Após quase 100 dias longe da família, Diego de Camargo Labriola, de 34 anos, voltou para casa no dia 30 de junho. A alegria de ver seu pai e familiares era nítida no olhar do rapaz. Neuropata, ele acabou tendo um quadro grave da Covid-19 e, neste período, permaneceu internado no Hospital Municipal Oceânico de Niterói, referência no combate à doença. Na saída, quando perguntado pelo pai, onde guardava os profissionais que cuidaram dele, apontou para seu próprio coração.

Por conta de seu quadro agudo Diego acabou tendo sequelas. Porém, a equipe do Hospital Oceânico realizou uma verdadeira ‘força tarefa’ para que ele pudesse voltar para casa e os familiares tivessem condição de cuidar do rapaz.

“Foi uma corrente espontânea de ajuda, falei que estava juntando dinheiro para comprar insumos para doar para família do Diego e diversos funcionários do hospital compraram essa ideia. Conseguimos um aspirador (para sugar fluídos) e centenas de insumos que facilmente irá suprir a necessidade familiar por meses”, explicou a médica Tatiane Costa, que cuidou do Diego desde sua chegada.

Nesses quase 100 dias, o pai, Crisostimo da Silva Labriola, de 65 anos, – morador do Cafubá – só conseguiu ver o filho pela visita virtual. Mas isso não o impediu de ir (praticamente todos os dias, de bicicleta) ao portão do hospital para orar. Ele conta apenas com o apoio de uma tia para cuidar diariamente do Diego.

“Eu ia rezar, pedir pelo meu filho, mas pedia pelos profissionais que estavam cuidando dele também. Eles são heróis que estão salvando vidas. Fico muito agradecido pelo que vocês [profissionais da saúde] fizeram pelo meu filho. Hoje a vida dele faz parte de vocês também, graças a cada um de vocês ele está voltando para casa. Vou continuar rezando todos os dias por vocês”, disse Crisostimo emocionado.

Os profissionais que cuidaram do Diego também se emocionaram. Débora Cristina, enfermeira que está desde a entrada do primeiro paciente do Hospital Oceânico, não aguentou e chorou também. “A gente acaba criando uma relação, um vínculo com os pacientes, e com o Diego foi um elo muito forte. Nossa família cresce a cada dia”, falou a enfermeira, que também participou da corrente de doações.

 

Diego com seu pai Crisostimo (foto Pedro Conforte)

 

Apoio

Um dia antes da alta de Diego, na terça-feira (29), diversos setores da saúde (fisioterapia, nutrição, fonoaudiologia, psicologia, assistência social, enfermagem e médica) realizaram uma reunião para relatar o passo a passo de como serão os cuidados com Diego daqui para frente. Além disso, toda a rede de saúde básica já está informada de quem é o paciente para que, caso precise de um cuidado mais especializado, o Médico de Família mais próximo já esteja apto para atendê-lo.

“Cada área tem uma orientação para que Diego possa ter a melhor vida possível perto da sua família. Tivemos o cuidado de fazer essa orientação para que sua reabilitação seja a melhor possível. Vê-lo tendo alta, superando a Covid-19 é uma alegria muito grande, mostra que estamos no caminho certo”, explicou Gisela Motta, diretora do Hospital Municipal Oceânico de Niterói.

 

Sobre o Hospital Municipal Oceânico de Niterói

O Oceânico foi inaugurado em abril do ano passado, bem no começo da pandemia de Covid-19 no Brasil, com 140 leitos de CTI. Foi um dos maiores desafios do Viva Rio na área da saúde, que assumiu em tempo recorde o comando do hospital.

De abril de 2020 a junho de 2021, o hospital registrou 2.094 altas dentre as 3.151 entradas. O Oceânico tem sido fundamental para evitar o colapso da rede pública de saúde de Niterói: nenhum paciente ficou sem leito de CTI no pico da pandemia.

A unidade tem mais de mil colaboradores, incluindo uma equipe multidisciplinar que trabalha dia e noite, com médicos intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas, psicológicos e assistentes sociais.

 

 

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