Zuenir Ventura, um dos fundadores do Viva Rio, morre aos 95 anos

 

Zuenir Ventura na comemoração dos 20 anos do Viva Rio, em 2013

 

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22). Com mais de seis décadas de atuação no jornalismo, Zuenir construiu uma carreira marcada pela cobertura de episódios políticos e de temas sociais relevantes do país.

Natural de Além Paraíba, no interior de Minas Gerais, Zuenir foi vencedor dos dois principais prêmios de jornalismo do Brasil, o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog. Também recebeu da Organização das Nações Unidas (ONU) um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Zuenir também era membro da Academia Brasileira de Letras.

Zuenir foi um dos fundadores do Viva Rio, em 1993, em um momento marcado pelas chacinas da Candelária e de Vigário Geral e pela mobilização de diferentes setores da sociedade em busca de respostas para a violência no Rio de Janeiro.

O jornalista acompanhou de perto aquele contexto e registrou, em Cidade Partida, as experiências vividas em Vigário Geral, cenário da chacina que matou 21 pessoas em 1993. Vencedora do Prêmio Jabuti, a obra retrata a violência, a desigualdade e os contrastes sociais do Rio de Janeiro, além de registrar a mobilização da sociedade civil que deu origem ao Viva Rio. O livro se tornou uma referência para compreender os conflitos e as transformações da cidade. 

Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos, o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.

 

Texto: Raquel de Paula

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