O dado considera as 28 unidades prisionais onde o Viva Rio mantém equipes de Atenção Primária

Foto: Pedro Conforte
O número de pessoas em tratamento da hipertensão arterial aumentou 13,7% nos presídios do município do Rio. O dado considera as 28 unidades prisionais onde o Viva Rio atua com equipes de Atenção Primária. Atualmente, 1.992 pessoas recebem acompanhamento para a doença, frente a 1.752 no mesmo período do ano passado.
O crescimento está relacionado, principalmente, à melhoria no registro dos casos, impulsionada pela qualificação das equipes e pelo aprimoramento dos processos, com foco em ampliar o diagnóstico e o acesso ao tratamento.
“Um ponto importante é a ampliação do diagnóstico e do acompanhamento, com o fortalecimento da Atenção Primária nas unidades prisionais, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde. Além disso, a qualificação dos registros e dos sistemas de informação pode ter contribuído para uma melhor identificação e acompanhamento dos casos já existentes, que antes poderiam estar subnotificados. Outro aspecto relevante é que algumas unidades concentram um número maior de pessoas idosas, o que impacta diretamente esses dados, já que a hipertensão é mais comum com o avanço da idade”, explica Camila Carvalho, gerente da Atenção Primária Prisional nas unidades do Grande Rio.
A hipertensão arterial é conhecida como uma doença silenciosa, pois geralmente não apresenta sintomas. Quando sinais como dor de cabeça, tontura, visão embaçada ou zumbido surgem, costumam indicar níveis mais elevados de pressão, o que reforça a importância da aferição regular, mesmo sem queixas.
O diagnóstico de hipertensão arterial é definido por valores iguais ou superiores a 140 por 90 mmHg, confirmados em pelo menos duas aferições realizadas em momentos diferentes, na ausência de uso de medicação anti-hipertensiva. No entanto, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de 2025 do Ministério da Saúde, níveis a partir de 130 por 80 mmHg já são considerados um sinal de alerta, pois indicam maior risco cardiovascular e exigem acompanhamento mais próximo, com ênfase em intervenções precoces, especialmente no estilo de vida. Têm maior predisposição à doença pessoas com histórico familiar, idade avançada, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e condições como diabetes.
O acompanhamento da hipertensão na Atenção Primária Prisional segue a mesma lógica das Clínicas da Família, onde mais de 24 mil pessoas estão em tratamento nas 76 unidades sob gestão do Viva Rio, mas com adaptações à rotina dos presídios. As equipes realizam a aferição regular da pressão arterial, tanto em consultas agendadas quanto nos atendimentos do dia a dia. Quando a hipertensão é identificada, a pessoa privada de liberdade passa a ser acompanhada com consultas periódicas para avaliação e ajustes no tratamento.
Os farmacêuticos também desempenham papel estratégico na adesão ao tratamento, por meio de orientações quanto ao uso adequado dos medicamentos, monitoramento da regularidade e identificação de possíveis barreiras, contribuindo para a garantia de acesso.
Também são feitas ações de educação em saúde, com foco no controle da doença e prevenção de complicações, além de encaminhamentos para outros serviços de saúde quando necessário.
Camila Carvalho destaca que, na Atenção Primária Prisional, é preciso um olhar ainda mais atento dos profissionais, por conta das situações específicas desse contexto. “Nesses espaços, a hipertensão arterial exige um cuidado redobrado, considerando fatores como maior exposição ao estresse, sedentarismo, alimentação muitas vezes inadequada e a presença de outros agravos. As equipes de saúde têm papel essencial na identificação precoce, no acompanhamento regular e na garantia do acesso ao tratamento contínuo, além de desenvolver ações de promoção da saúde adaptadas à realidade desse público, contribuindo para reduzir riscos e prevenir complicações”, reforça a profissional.
A hipertensão não controlada pode afetar órgãos como coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos, aumentando o risco de eventos cardiovasculares graves. Ao diagnosticar a doença, as equipes de Atenção Primária assumem o cuidado do paciente, avaliam fatores de risco e definem, junto ao usuário, um plano terapêutico individualizado.
Texto: Raquel de Paula
