Atividade acontece na Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho, na Zona Oeste do Rio, realizada por profissionais da Atenção Primária Prisional

Profissionais da Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho, mais conhecida como Bangu 4, no Complexo de Gericinó, criaram uma iniciativa para ampliar o acesso à informação em saúde entre as pessoas privadas de liberdade: o Pod Perguntar, uma atividade que simula o formato de um podcast. O projeto começou em maio deste ano e é desenvolvido pela equipe de Atenção Primária Prisional que atua na unidade, sob gestão do Viva Rio. Em três edições realizadas até o momento, cerca de 120 pessoas participaram da ação.
Realizada no espaço cultural do presídio, a atividade reproduz a dinâmica de um podcast, com apresentador e convidado, ambos profissionais da equipe de saúde ou especialistas. O diferencial é a participação ativa das pessoas privadas de liberdade, que podem fazer perguntas sobre os temas abordados. Entre os assuntos já discutidos estão sinais e sintomas da tuberculose, HIV, sífilis e a importância da realização de testes rápidos.
O objetivo é promover educação em saúde de forma acessível, com linguagem simples e de fácil compreensão, além de aproximar as pessoas privadas de liberdade da dinâmica dos podcasts, formato cada vez mais popular. A iniciativa busca estimular o debate sobre as principais necessidades de saúde no ambiente prisional, orientar sobre doenças e agravos mais comuns nas unidades e fortalecer ações de prevenção, autocuidado e promoção da saúde, a partir das dúvidas e demandas identificadas durante os atendimentos.
“A ideia é informação em saúde através de ações coletivas, no caso uma roda de conversa adaptada no formato de podcast. Os assuntos estão diretamente ligados ao cuidado apresentado na atenção primária, observados no acompanhamento feito pela equipe. O impacto tem sido muito positivo, eles gostam e participam bastante, ficam empolgados querendo saber quando será o próximo encontro. Está sendo muito produtivo em relação ao que a gente entende por educação em saúde”, explica Fabio Araujo, gerente da Atenção Primária Prisional.
Os participantes também têm atuado como multiplicadores das informações dentro da unidade, que abriga mais de 2,2 mil homens. Em pouco mais de um mês de projeto, já foi observado um aumento na procura por atendimentos e testes para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e tuberculose. Desde o início da atividade, houve um aumento de 18,4% na procura por testes rápidos de ISTs.
A enfermeira Shirleyde Ribeiro, uma das idealizadoras do projeto, afirma que o aumento da procura por atendimento já pode ser percebido na rotina do ambulatório. “Nos encontros falamos especialmente sobre sinais e sintomas dos temas abordados, que são as principais dúvidas deles. Já observamos a vinda de alguns no ambulatório depois dos podcasts. Por exemplo, semana passada atendi um privado de liberdade que relatou lesões nas palmas das mãos e planta dos pés. Ele estava na edição em que falamos de sífilis e queria realizar os testes rápidos. Reforçamos sempre em todos os encontros que eles sejam multiplicadores das informações em saúde dentro de suas galerias e isso tem sido feito”, comenta.
A equipe de Atenção Primária Prisional é composta por enfermeira, técnico de enfermagem, médico clínico, psiquiatra, psicóloga, cirurgiã-dentista, auxiliar de saúde bucal e farmacêutico, que atuam nos ambulatórios instalados nas unidades prisionais.

Texto: Raquel de Paula
