Busca por ajuda para deixar de fumar cresce 58% em unidades sob gestão do Viva Rio

Mais de mil pessoas procuraram tratamento nas Unidades de Atenção Primária entre janeiro e julho deste ano 

Grupo de apoio da Clínica da Família Lecy Ranquine, na Zona Oeste do Viva Rio 

 

Dados da pesquisa Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, apontam que 11,5% da população adulta no Brasil é fumante. Embora o índice nacional ainda seja alto, o número de pessoas que estão tentando abandonar o vício em cigarros tem crescido nas 76 unidades de Atenção Primária sob gestão do Viva Rio no município do Rio de Janeiro, entre Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde. Entre janeiro e julho deste ano, 1.062 pessoas buscaram ajuda para deixar de fumar. No mesmo período de 2025, foram 670 pessoas, um aumento de 58,5% na procura pelo tratamento.

As mulheres representam a maioria entre aqueles que buscaram auxílio para abandonar o cigarro, correspondendo a mais de 61% dos pacientes nos primeiros sete meses de 2026. Em relação à faixa etária, a maior procura está entre adultos e idosos de 50 a 69 anos, que concentram 46,5% dos atendimentos.

Nas unidades de atenção básica, existem grupos para aqueles que querem parar de fumar, que seguem as diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, do Ministério da Saúde. Em julho, 246 pessoas participavam desses grupos nas unidades sob gestão do Viva Rio.

Para participar, é necessário passar por uma consulta de avaliação clínica, que serve para conhecer os hábitos do fumante e avaliar se ele está preparado para deixar de fumar. No primeiro mês do grupo, é realizado um encontro por semana; no segundo, os encontros passam a acontecer quinzenalmente; e, a partir do terceiro mês, é realizada uma reunião mensal para a manutenção do tratamento. Os encontros acontecem por 12 meses. Após esse período, o paciente passa a ser considerado ex-fumante e recebe alta do programa.

Jane Maria de Carvalho, farmacêutica e uma das responsáveis pelo grupo antitabagismo no Centro Municipal de Saúde Hélio Pellegrino, na Tijuca, Zona Norte do Rio, tem observado um aumento no número de pessoas que procuram apoio para abandonar o vício em cigarros. A profissional explica que, além dos encontros, também são oferecidos medicamentos e exercícios.

Grupo do CMS Hélio Pellegrino, na Zona Norte do Rio

 

“O objetivo é fornecer meios para que os fumantes superem os três aspectos da dependência do cigarro ou de outros dispositivos para fumar. As dependências são química, comportamental e psicológica. Para a primeira, são oferecidos medicamentos à base de nicotina e outros componentes; já para as duas outras dependências, são oferecidos exercícios com ajuda de diferentes profissionais, como psicólogo, educador físico, médico, enfermeiro, dentista, farmacêutico e agente comunitário de saúde. Esse time vai ajudar o fumante a desenvolver habilidades para se livrar da dependência. A pessoa vai reaprender a viver sem o cigarro. E vai ter um acompanhamento de perto por um ano para não ter recaída”, explica Jane.

São muitos os casos de sucesso do grupo. A paciente Martha de Almeida fuma há mais de 38 anos e já havia conseguido parar de fumar anteriormente, mas enfrentou recaídas. Em julho, ingressou no grupo de tabagismo determinada a mudar essa história e conquistar novamente sua liberdade do cigarro. Decidiu, junto com a equipe, utilizar a estratégia de redução gradual do número de cigarros e estabeleceu uma data para deixar de fumar. 

“As orientações compartilhadas no grupo foram muito importantes para mim. As estratégias para enfrentar os momentos de abstinência, as conversas sobre mudança de comportamento e, principalmente, o acolhimento e o apoio psicológico oferecidos pelo grupo foram fundamentais para que eu me mantivesse firme”, comenta. Atualmente, ela participa do grupo de manutenção. “Me sinto vitoriosa por ter conseguido parar de fumar e, mais do que deixar o cigarro, descobri que é possível atravessar as dificuldades, acreditar em mim mesma e construir uma nova rotina com mais liberdade e qualidade de vida”, finaliza.

O grupo do CMS Hélio Pellegrino inicia com novos participantes toda primeira segunda-feira do mês. É coordenado por duas farmacêuticas, uma dentista e um agente comunitário de saúde. Outros profissionais também participam dos quatro primeiros encontros. 

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