Mais de mil pessoas procuraram tratamento em unidades de Atenção Primária entre janeiro e julho deste ano

Foto: Pedro Conforte
Dados da pesquisa Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, apontam que 11,5% da população adulta no Brasil é fumante. Embora ainda seja um índice alto, o número de pessoas que estão tentando abandonar o vício em cigarros tem crescido. Nas 76 unidades de Atenção Primária sob gestão do Viva Rio no município do Rio de Janeiro, entre Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde, 1.062 pessoas buscaram ajuda para parar de fumar entre janeiro e julho deste ano, contra 460 em todo o ano passado. O número indica um aumento de mais de 130% em relação ao ano anterior.
Nas unidades de atenção básica, existem grupos para aqueles que querem parar de fumar, que seguem as diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, do Ministério da Saúde. Em julho, 246 pessoas participavam desses grupos nas unidades sob gestão do Viva Rio.
Para participar, é necessário passar por uma consulta de avaliação clínica, que serve para conhecer os hábitos do fumante e avaliar a disposição em deixar de fumar. No primeiro mês do grupo, é realizado um encontro por semana; no segundo, os encontros passam a acontecer quinzenalmente; e, a partir do terceiro mês, é realizada uma reunião mensal para a manutenção do tratamento. Os encontros acontecem por 12 meses. Após esse período, o paciente passa a ser considerado ex-fumante e recebe alta do programa.
Jane Maria de Carvalho, farmacêutica e uma das responsáveis pelo grupo antitabagismo no Centro Municipal de Saúde Hélio Pellegrino, na Tijuca, Zona Norte do Rio, tem observado um aumento no número de pessoas que procuram apoio para abandonar o vício em cigarros. A profissional explica que, além dos encontros, também são oferecidos medicamentos e exercícios.

Grupo antitabagismo do CMS Helio Pellegrino, na Zona Norte do Rio
“O objetivo do grupo é oferecer meios para que as pessoas fumantes superem os três aspectos da dependência do cigarro ou de outros dispositivos para fumar. As dependências são química, comportamental e psicológica. Para a primeira, são oferecidos medicamentos à base de nicotina e outros componentes; já para as duas outras dependências, são oferecidos exercícios com ajuda de diferentes profissionais, como psicólogo, educador físico, médico, enfermeiro, dentista, farmacêutico e agente comunitário de saúde. Esse time vai ajudar o fumante a desenvolver habilidades para se livrar da dependência. A pessoa vai reaprender a viver sem o cigarro. E vai ter um acompanhamento de perto por um ano para não ter recaída”, explica Jane.
São muitos os casos de sucesso do grupo. A paciente M. A. fuma há mais de 38 anos e já havia conseguido parar de fumar anteriormente, mas enfrentou uma recaída. Em julho, ingressou no grupo de tabagismo determinada a mudar essa história e conquistar novamente sua liberdade do cigarro. Decidiu, junto com a equipe, utilizar a estratégia de redução gradual do número de cigarros e estabeleceu uma data para deixar de fumar. Chegou a utilizar o adesivo de nicotina, mas, antes da quarta sessão, decidiu interromper o uso e seguir sem auxílio de medicamentos.
“As orientações compartilhadas no grupo foram muito importantes para mim. As estratégias para enfrentar os momentos de abstinência, as conversas sobre mudança de comportamento e, principalmente, o acolhimento e o apoio psicológico oferecidos pelo grupo foram fundamentais para que eu me mantivesse firme”, comenta. Atualmente, ela participa do grupo de manutenção. “Me sinto vitoriosa por ter conseguido parar de fumar e, mais do que deixar o cigarro, descobri que é possível atravessar as dificuldades, acreditar em mim mesma e construir uma nova rotina com mais liberdade e qualidade de vida”, finaliza.
O grupo do CMS Hélio Pellegrino inicia com novos participantes toda primeira segunda-feira do mês. É coordenado por duas farmacêuticas, uma dentista e um agente comunitário de saúde. Outros profissionais também participam dos quatro primeiros encontros.
Texto: Raquel de Paula
