Evento reuniu mais de 70 profissionais no Teatro Amaro Domingues, na sede do Viva Rio
O programa Central Viva e a VR Educa promoveram, nesta quarta-feira (19), o evento “A loucura e a rua: o cuidado das pessoas com transtornos mentais na Zona Sul do Rio de Janeiro”, que teve como proposta trazer reflexões e propostas de acolhimento para essa população, especialmente os indivíduos que estão em situação de rua. O encontro aconteceu na sede do Viva Rio, em Ipanema.
Mais de 70 pessoas participaram da programação, entre profissionais da saúde e da assistência social, além de colaboradores do Viva Rio. O evento contou com mesas que abordaram os desafios no acolhimento às pessoas em situação de rua com transtornos mentais e a importância do trabalho em rede para um cuidado mais eficaz e um acesso pleno a direitos.
“Estamos vivendo tempos muito violentos, com grande disseminação de ódio contra as pessoas em situação de rua, especialmente nas redes sociais, além de agressões físicas. Nós [da saúde, saúde mental e assistência social] temos o desafio de refletir sobre casos mais graves, que só vamos dar conta com a união dos serviços”, comenta Cléo Moraes, coordenador do Central Viva.
Na mesa de abertura participaram Jane Cruz, apoiadora dos cuidados da POP Rua CAP 2.1; Maíra Cabral, coordenadora de Atenção Psicossocial do Viva Rio; Marcelo Pedra, pesquisador do Núcleo de Pessoas em Vulnerabilidade e Saúde Mental na Atenção Básica (NUPOP); Raquel Barros, diretora do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) Maurício de Sousa e Daniele do Val, assistente social da 2ª Coordenadoria de Assistência Social.
“O desamparo, seja estrutural, familiar, da sociedade ou institucional, além da falta de políticas públicas, pode levar alguém à loucura. A rua leva a pessoa à loucura? Que loucura é essa? Que recursos temos, enquanto trabalhadores de saúde mental, para lidar com pessoas em situação de rua que enfrentam transtornos mentais? Essas são perguntas que devem nos fazer diariamente”, refletiu Jane Cruz.
Na segunda mesa, com o tema “E aí, Como é que você faz?”, que falou sobre a parte prática do cuidado, estiveram Carla Serapião, psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) Maria Lina; Devaldo Oliveira, redutor de danos do CAPS Maria do Socorro; Mariana Ribeiro, psicóloga do Consultório na Rua (CNAR) do Catete; Mario Jorge, coordenador técnico do CAPS AD Heleno de Freitas; Naruã Seixas, coordenador técnico do CAPS Franco Basaglia; Rejane Lima, RT de Enfermagem do CAPSi Maurício de Sousa; e Roberta Trevisan, médica do CNAR de Copacabana.
Para Mario Jorge, coordenador técnico do CAPS AD Heleno de Freitas, é importante enxergar o indivíduo sem preconceitos e ampliar parcerias para melhorar o acolhimento. “Essas pessoas têm vida, desejo, perspectivas. Precisamos olhar para elas sem estigmas e preconceitos. O Heleno de Freitas, em 2023, atendia cerca de 50% da população em situação de rua de Botafogo, atualmente atende 80%. Precisamos construir caminhos para ampliar ainda mais nosso trabalho, possíveis através de uma articulação em rede, com parcerias”, comentou.
Já a psicóloga Carla Serapião reforçou a importância de utilizar outras estratégias de cuidado para além da saúde. “Precisamos pensar em recursos alternativos de arte e cultura, como o Pop Samba, que são rodas de samba criadas para ampliar e fortalecer o acesso da população em situação de rua a serviços de saúde e assistência”, finalizou.
Confira abaixo mais fotos da programação.
Texto: Raquel de Paula
Fotos: Lucas Faro