
Camila Nascimento, coordenadora de Saúde Mental do Viva Rio
No Viva Rio, as mulheres são maioria. Elas representam 71% dos colaboradores da instituição, somando mais de 10,7 mil profissionais em diferentes posições e projetos, enquanto os homens são cerca de 4,3 mil. Nos cargos de liderança, elas também predominam: 67% das posições de chefia são ocupadas por 292 mulheres, que atuam como diretoras, gerentes, coordenadoras e supervisoras.
Os números do Viva Rio vão na contramão do mercado de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em 2024, apenas 39% dos cargos gerenciais do país eram ocupados por mulheres. A pesquisa também revela a baixa presença feminina no mercado de trabalho em geral: elas representavam cerca de 43% dos trabalhadores em 2024.
A expressiva participação de mulheres trabalhando no Viva Rio não se deve apenas à atuação na área da saúde, onde elas prevalecem no Brasil, mas também ao compromisso da instituição com a inclusão e a diversidade.
“Como afirmava Lélia Gonzalez: ‘Nossa presença nos espaços de decisão não é um favor, é o reconhecimento de que nossa visão de mundo é essencial para uma sociedade que pretenda ser justa’. Enquanto mulher e vice-diretora executiva, vejo que nossa liderança no Viva Rio é o encontro entre visão estratégica e compromisso social. Nossa forma de gerir traz eficiência, inovação e resiliência para as instituições, com foco no impacto real na vida das pessoas. Nossa liderança é bem-sucedida porque também transforma essa realidade em políticas de cuidado e dialoga com a missão do Viva Rio, ao entender que o poder precisa ser humanizado, reforça Fernanda Carvalho, vice-diretora do Viva Rio.
Camila Nascimento é uma das líderes da organização. Ela começou como RT de Enfermagem em uma unidade de atenção primária, passou por cargos de gerência e assessoria técnica e atualmente é coordenadora de Saúde Mental no Viva Rio.
“Como mulher negra, sei que chegar a um espaço de liderança ainda carrega muitos significados. Não apenas pelo caminho que precisei percorrer, mas também pelo compromisso de abrir portas e ampliar possibilidades para outras mulheres que vêm depois. Estar em uma instituição formada em sua maioria por mulheres reforça a importância da colaboração, da escuta e da construção coletiva. Assumir esse cargo é olhar para minha trajetória com gratidão e seguir trabalhando para fortalecer o impacto social que o Viva Rio constrói todos os dias”, reforça a profissional.

Elizabete, gerente do CMS Nicola Albano
Elizabete Rodrigues de Brito, gerente do Centro Municipal de Saúde Nicola Albano, localizado na Zona Sul do Rio, atua na gestão de unidades de atenção primária desde 2000. Ela reforça a importância de combater preconceitos no ambiente de trabalho através de ações concretas.
“Ser mulher negra e gerente de uma unidade básica de saúde tem importância estratégica como catalisadora de mudanças significativas. Busco exercer uma liderança que agregue valores, aliando competência técnica à visão e aos propósitos femininos na gestão, inspirada pelas mulheres da minha vida e pela minha ancestralidade. Enfrentar a discriminação no ambiente de trabalho exige comprometimento contínuo das instituições. Cabe aos gestores promover um ambiente seguro, respeitoso e equitativo. Por isso, adoto estratégias de conscientização, diversidade e inclusão, entendendo que a valorização da diversidade fortalece o clima organizacional, amplia a representatividade e gera benefícios diretos para a população atendida”, reforça.
Texto: Raquel de Paula
