Concurso de Bonecos celebra o Carnaval nas unidades de Saúde Mental do Viva Rio

Apresentação do CAPSi Maurício de Souza, um dos vencedores do concurso 

 

Para celebrar o Carnaval com alegria e inclusão, a coordenação de Saúde Mental do Viva Rio promoveu o Concurso de Bonecos, que reuniu 21 unidades sob gestão da organização no município do Rio, entre Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Deambulatórios e Unidades de Acolhimento Adulto. O objetivo é estimular a criatividade e promover momentos de integração e diversão para usuários, familiares e profissionais dos serviços. 

Esta é a segunda edição da competição, que no ano passado foi um concurso de estandartes. O evento aconteceu no Instituto Municipal Nise da Silveira, que também é administrado pelo Viva Rio, durante a concentração do Bloco Loucura Suburbana, na última quinta-feira (12). 

Neste ano, o concurso foi dividido nas categorias adulto e infantojuvenil. Na primeira, o vencedor foi o CAPS Torquato Neto, já na disputa entre unidades infantis, os CAPSi Maurício de Sousa e Visconde de Sabugosa garantiram o primeiro lugar. Como prêmio, as equipes vencedoras vão ganhar um piquenique ao ar livre, com direito a transporte. 

“Em meio aos desafios do dia a dia do serviço a gente conseguiu separar um tempo para fazer, de pouquinho em pouquinho, cada processo do boneco. Não foi fácil, mas conseguimos fazer o Torquato (poeta brasileiro) vestido de chapeleiro maluco. Tudo isso com a participação ativa dos usuários que estão em acolhimento, em convivência”, comenta Pedro Marcus, profissional de artes no CAPS Torquato Neto. 

A paciente Mirian da Silva, que ajudou na confecção do boneco do Torquato Neto também fala da alegria em participar desse momento e de ser acolhida na unidade. “Acreditei que a gente podia ganhar e foi o que aconteceu, toda a equipe se uniu com esse objetivo e deu certo. Estou há dois anos no projeto, entrei com dificuldade mental e dependência química. Foi difícil assumir tudo isso, mas com o apoio da equipe, o tratamento, o carinho e a atenção, que são inigualáveis, foi possível. Cheguei na unidade às 4 da manhã pedindo socorro e fui muito bem atendida. Só tenho a agradecer, ao Torquato Neto e ao SUS”, relata. 

A proposta mobilizou usuários e profissionais na criação coletiva dos bonecos, estimulando trabalho em grupo, autoestima e criatividade. Os critérios de avaliação da competição envolveram originalidade, acabamento, performance no desfile e participação dos usuários e familiares. 

“A ideia de fazer o concurso de bonecos veio a partir de uma oficina que a equipe do Loucura Suburbana aprendeu com artesãos argentinos e nós levamos para os CAPS. Os bonecos tem a sustentabilidade como norte, são feitos com materiais recicláveis. O concurso é de extrema importância, com ele a gente reforça que as pessoas acompanhadas nas unidades de saúde mental têm direito à liberdade e ocupação da cidade. Além de ser um momento de integração da rede, em um encontro descontraído”, explica Letícia de Almeida, assessora técnica da equipe de Saúde Mental do Viva Rio. 

Bonecos do CAPSi Visconde de Sabugosa

 

Bloco Loucura Suburbana ocupa as ruas do Engenho de Dentro 

O tradicional Bloco Loucura Suburbana saiu às ruas do Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, reunindo usuários e profissionais do Instituto Nise da Silveira e de outros serviços de saúde mental, parentes e moradores do bairro e da cidade. O objetivo é combater o estigma da loucura, promover a convivência e valorizar a cidadania de pessoas com transtornos mentais.

A foliã Rosângela, que frequenta o Loucura Suburbana há mais de 20 anos, comenta a importância do bloco. “Eu moro em Campo Grande, mas venho todo ano, trago meus amigos e meus filhos, que são autistas e curtem muito. Eu amo o Loucura, acho o projeto sensacional, é desenvolvido o ano inteiro, não só no Carnaval. É muito seguro, a gente se sente confortável e à vontade. 

O bloco tem 26 anos de tradição e foi criado como parte do processo de desconstrução do modelo asilar do Instituto Municipal Nise da Silveira. 

Confira abaixo mais fotos do concurso e do bloco.

Texto: Raquel de Paula

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